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Ela e Outras Mulheres - Rubem Fonseca [PRÉMIO CAMÕES | PRÉMIO JUAN RULFO]
 
Em vinte e sete pequenos contos, Rubem Fonseca apresenta outras tantas personagens femininas que surgem, ora como vítimas, ora como algozes, mas sempre como criaturas fascinantes e imprevisíveis.
São histórias cheias de violência, vingança, desejo e pequenas obsessões, em que as mulheres definem o destino dos homens.
  PREÇO :  €11.70
  Preço de Mercado :  €13.00
  Sobre o Livro :  O estilo que consagrou Rubem Fonseca como um dos maiores autores brasileiros contemporâneos mantém-se intacto. Mas "Ela e Outras Mulheres" leva algumas das características da sua literatura a patamares extremos. A concisão e a dureza da linguagem, por exemplo, atingem o pico em contos como "Ela", breve relato sobre o início e o fim de um relacionamento, marcado pela carnalidade explícita e pela máxima do narrador: "Na cama não se fala de filosofia". Um olhar que se aproxima da violência e das pequenas obsessões escondidas no dia-a-dia está presente em contos como "Miriam", em que uma funcionária de banco, atormentada pela sensação de ter um corpo estranho preso na garganta, cultiva com satisfação o seu poder de recusar empréstimos aos "pobres-diabos que têm que aprender a viver dentro de suas posses".

Rubem Fonseca nasceu em 1925, em Minas Gerais (Brasil).
Licenciado em Direito, nunca chegou a exercer advocacia, antes optando pela literatura e o cinema.
Em 1952 iniciou sua carreira na polícia, como comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Muitos dos factos vividos naquela época e dos seus companheiros de trabalho estão imortalizados nos seus livros. Aluno brilhante da Escola de Polícia, não demonstrava, então, pendores literários. Ficou pouco tempo nas ruas. Foi, a maior parte do tempo em que trabalhou, até ser exonerado em 1958, um polícia de gabinete. Cuidava do serviço de relações públicas da polícia. Em 1954 recebeu uma licença para estudar e depois dar aulas na Fundação Getúlio Vargas, no Rio. Na Escola de Polícia destacou-se em Psicologia. Rubem Fonseca via, debaixo das definições legais, as tragédias humanas e conseguia resolvê-las. Nesse aspecto, afirmam, ele era admirável. Escolhido, com mais nove polícias cariocas, para se aperfeiçoar nos Estados Unidos, entre 1953 e 1954, aproveitou a oportunidade para estudar administração de empresas na New York University. Após sair da polícia, Rubem Fonseca trabalhou na Light até se dedicar integralmente à literatura.
Romancista, contista e argumentista de cinema, Rubem Fonseca é considerado um dos maiores escritores de língua portuguesa contemporâneos, com uma obra extensa que a Campo das Letras tem vindo a publicar: "A Grande Arte" (romance, Prémio Jabuti e Prémio Goethe), "Romance Negro e Outras Histórias" (contos), "O Buraco na Parede" (contos, Prémio Jabuti), "Histórias de Amor" (contos), "E do Meio do Mundo Prostituto Só Amores Guardei ao Meu Charuto" (novela, Prémio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional), "A Confraria dos Espadas" (contos, Prémio Eça de Queiroz, da União Brasileira de Escritores), "Secreções, Excreções e Desatinos" (contos), "Pequenas Criaturas" (contos, Prémio Jabuti), "Diário de um Fescenino" (romance), "Mandrake – A Bíblia e a Bengala" (romance) e "Ela e Outras Mulheres" (contos).

Em 2003 recebeu, pelo conjunto da sua obra, o Prémio Camões e o Prémio Juan Rulfo.

Mestre absoluto no controlo do ritmo narrativo, Rubem Fonseca gera expectativas e surpresas, pratica a arte de provocar tensões e distensões na narrativa, de a conduzir sem pressa ao clímax desejado. É uma literatura que não nos deixa descansar. No dizer do escritor norte-americano Thomas Pynchon, a escrita de Rubem Fonseca "faz milagres, é misteriosa. Cada livro dele não é só uma viagem que vale a pena: é uma viagem de algum modo necessária".

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“CALEIDOSCÓPIO FEMININO - Vinte e sete histórias do brasileiro Rubem Fonseca
Se «não há mulher que não sonhe em matar o marido», Francisca torna o sonho realidade; Guiomar faz com que o companheiro aprenda e realize por ela as tarefas domésticas; Luíza faz uma «ablação peniana» ao namorado; Zézé (Josefina) prepara-se para o Dia Internacional do Orgasmo; Belinha é assassinada pelo namorado, que é assassino profissional, pois ele fica escandalizado por ela querer matar o pai: estes são alguns motes para as histórias do «Ela e as Outras mulheres», décimo primeiro título que a Campo das Letras editou entre nós do prolixo, carnal, desbocado e virulento escritor brasileiro Rubem Fonseca, Prémio Camões 2003.
São vinte e sete mulheres, uma para cada conto, construídas no quotidiano urbano violento. São adolescentes, jovens, adultas, de meia-idade e idade avançada; são vítimas, dedicadas, meigas, solitárias, manipuladoras, cerebrais, lascivas, ninfomaníacas, cleptomaníacas; são 148 páginas de histórias curtas, concisas e de enredos imprevistos, que se lêem de um fôlego, em apenas algumas horas.
Mesmo que em muitos contos Rubem Fonseca construa a psicologia feminina de forma estereotipada, cheia de lugares comuns, com moldes repetitivos de violência e sexo (obsessões na escrita do autor e que lhe têm granjeado críticas de ser um escritor comercial), noutros irrompe o processo de construção de histórias com fulgor quase genial. Em subsídio da leitura activa está, também, a componente cinematográfica das pequenas narrativas, velozes e dinâmicas, que prendem o leitor ao texto levando-o de surpresa em surpresa até aos finais inesperados, arrancando-lhe um sorriso ou uma repulsa, e nunca a indiferença.
Por ordem alfabética, vão surgindo os nomes das mulheres, titulando os contos, marcando diversas cadências na pulsação desta antologia.
Francisca, tal «como toda a mulher casada», vivia «tomando remédios aos montões para aliviar momentaneamente» a sua «insuportável carga de frustrações», até que um dia decide usar os seus medicamentos para mudar a vida. A resolução era simples: juntá-los à bebida do marido para depois o matar. Corre assim o texto:
«Estava morta de cansaço quando cheguei à varanda, mas ainda tive forças para deitá-lo de barriga sobre a grade da varanda e depois agarrar suas pernas, levantá-las e impulsionar o corpo.
A queda causou um distante som oco ao bater na calçada.
Depois liguei para a polícia dizendo que o meu marido tinha bebido demais e havia caído da varanda. Acrescentei que ele era viciado em entorpecentes.
Voltei para a sala e bebi outra taça de champanhe. Adoçava a boca, antes de começar a comer o pão que o diabo amassou.
Depois, na frente do espelho ensaiei a história que ia contar para a polícia. Seu delegado, isso aconteceu no mês passado com o morador do 1201, que também misturava bebida com calmantes, era alto e gordo como o meu marido e caiu da varanda, a grade é muito baixa.
Ele provavelmente também foi empurrado pela esposa, mas esse final não ia contar.
Fiz minha cara de choro e as lágrimas escorreram. É fácil chorar se a pessoa está feliz.»
A história de Belinha introduz a figura do assassino a soldo, muito cultivada na literatura brasileira e que se radica na violência real que grassa no país. Esta figura está incluída noutros contos desta colectânea, nomeadamente na história de Teresa, mulher que é salva por um destes assassinos que matam por dinheiro, mas «nem sempre»; e assim se mostra a dedicação das letras brasileiras pela exploração esta figura da violência nos seus múltiplos contornos, filão para a sátira social.
Belinha tem dezoito anos, é menina de boas famílias, formada em bons colégios, fala francês e gosta do namorado bandido porque o «tesão» dele era verdadeiro. Mas a rapariga comete um erro de cálculo ao pedir-lhe que assassine o pai para ela ficar com o dinheiro, pois o namorado, assassino profissional que a adorava, tinha a sua honra, e descarrega-lhe a Walter «bem na nuca para ela morrer de maneira instantânea e sem dor.»: «Como é que alguém pode querer matar o pai ou a mãe?»." TERESA SÁ COUTO (http://comlivros-teresa.blogspot.com/ )

«E é viciante percorrer as páginas deste livro. Uma história conduz a outra. Ainda que as ligações entre si sejam ocasionais, a sua sequência assemelha-se a uma pintura cubista em que a retratada emerge da fusão de todas as perspectivas. Até porque Rubem Fonseca, Prémio Camões 2003 e indiscutivelmente um dos maiores escritores de língua portuguesa – nasceu em Minas Gerais, em 1925 –, é um mestre na narrativa curta e na caracterização das suas figuras. Breves pinceladas, sempre muito visuais, a exacta expressão do pensamento das personagens, os banais quotidianos em que se movimentam. Em alguns casos, as mulheres são apresentadas pelo olhar masculino, mas a maioria ‘mostra-se’ em discurso directo.» LUÍS RICARDO DUARTE ( www.bloguedeletras.blogspot.com )

  Outras Informações :  ISBN: 978-989-625-220-5
Nº de Páginas: 152
Peso: 195 g.
Dimensões 13,5x21 cm
Ano de Edição: 2008
   
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